Última alteração: 2024-11-19
Resumo
A violência contra jornalistas tomou dimensões alarmantes, principalmente, a partir do ano de 2018. Desse momento em diante, foi documentada uma alta exponencial nos casos de agressão, tanto física quanto verbal, em pessoa ou digital. Já no ano de eleições presidenciais, foi registrada uma alta extraordinária nos casos de violência digital e violência de gênero, sobretudo a partir de agentes estatais e com teor político. Dentro desse cenário, as plataformas digitais de interação social foram o elemento chave para a propagação do discurso de ódio e do assédio digital contra a jornalista mulher. A partir disso, o presente estudo busca analisar como a violência digital contra jornalistas mulheres é praticada no meio virtual, especificamente por meio das redes sociais Twitter e Instagram, a partir da coleta das interações feitas na conta pessoal da jornalista Patrícia de Toledo Campos Mello, e da qualificação e quantificação dessas interações. Ainda, busca ilustrar como a alta nos casos de violência, a violência de gênero e os contextos social, político e econômico no qual o aumento nos registros está estabelecido, se relacionam, além de como cada um desses elementos contribui, a partir da complexidade individual de cada um, para o cenário de aumento de casos computados.