ANÁLISE DOS ASPECTOS SUBJETIVOS E DA CAPACIDADE SIMBÓLICA DE CRIANÇAS EXPOSTAS À VIOLÊNCIA POR PARCEIRO ÍNTIMO CONTRA SUAS MÃES UTILIZANDO TÉCNICAS PROJETIVAS
Resumo
Introdução: A violência doméstica vem sendo reconhecida como um problema de saúde pública e dos direitos humanos por impactar a saúde física e mental dos envolvidos. Entretanto, pouco se tem estudado sobre os aspectos subjetivos da experiência de crianças que são expostas à violência contra a mãe, seja ela de forma direta, ao presenciarem a violência, ou na forma indireta, ao serem cuidados por um casal em situação de violência. Objetivo: Estudar a qualidade da interação mãe-criança, aspectos subjetivos e a capacidade simbólica de crianças entre 5 e 12 anos expostas à violência contra as suas mães. Método: A partir de uma abordagem qualitativa, realizou-se o estudo de 3 casos, com uso de técnicas projetivas, entrevistas semiestruturadas e uma escala padronizada de saúde mental, ao longo de encontros presenciais com a díade mãe-criança. Resultados: Houve consequências à capacidade simbólica e da saúde mental das crianças participantes: 1. a presença de mecanismos de defesa como a clivagem e a negação que produzem inibição da espontaneidade e da criatividade; 2. ausência de confiança no ambiente, relacionada à angústia de separação com as mães e ao medo do colapso; e 3. expressões de desamparo e solidão, diante da fragilidade dos vínculos intersubjetivos. Conclusão: A dinâmica de um ambiente violento repercute negativamente na capacidade de simbolização dos filhos e está relacionado a retraimento emocional e sintomas de depressão e ansiedade. Nos três casos, o agressor das respectivas mães foi o pai das crianças, acentuando o sofrimento psíquico e emocional pela falta de boas referências. Portanto, estar num ambiente em que não se é possível estabelecer a experiência da confiança causa impactos no desenvolvimento emocional, criativo e na espontaneidade do sujeito.Downloads
Publicado
2024-11-19
Edição
Seção
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde