SILENCIAMENTO DA VIDA MULHER, MEIO AMBIENTE E O DESTINO DO MUNDO SOB A LÓGICA DA DOMINAÇÃO

Autores

  • Alderyanne Silva Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor
  • Claudia Márcia Costa Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor

Palavras-chave:

Silenciamento epistemológico, Mulheres, Constitucionalismo brasileiro

Resumo

O artigo investiga como o silenciamento histórico das mulheres e a exploração da natureza se articularam, no processo de formação social brasileiro, como manifestações historicamente mutáveis de uma racionalidade de hierarquização, apropriação e instrumentalização da vida. Evita-se qualquer equivalência ontológica entre mulher e natureza: a aproximação é analítica e recai sobre os mecanismos que tornaram corpos, trabalhos, saberes e territórios disponíveis ao poder. A pesquisa é qualitativa, histórico-jurídica e bibliográfica, com análise documental dos Anais da Assembleia Constituinte de 1823 e das Constituições de 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967, da Emenda Constitucional nº 1/1969 e da Constituição de 1988. O referencial reúne a historicização do patriarcado, o materialismo histórico e a reprodução social, a crítica dos regimes de verdade e da ideologia, a epistemologia do ponto de vista e o ecofeminismo materialista. A genealogia constitucional revela deslocamento progressivo: de uma ordem em que cidadania política e natureza eram reguladas sob gramáticas restritivas de utilidade, propriedade e exploração, para o reconhecimento explícito da igualdade entre mulheres e homens e do meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito de todos. Conclui-se que a Constituição de 1988 representa ruptura normativa decisiva, mas não elimina continuidades materiais, culturais e institucionais, evidenciadas por desigualdades de poder, violência contra as mulheres e dificuldades de implementação de políticas públicas. A reconstrução do pacto social aparece, portanto, como consequência da desinstrumentalização da vida, e não como terceiro objeto autônomo.

Biografia do Autor

  • Alderyanne Silva, Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Graduada em Administração de Empresas e Gestão Pública e graduanda em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Possui experiência profissional nas áreas de gestão, relações institucionais, desenvolvimento de negócios, tecnologia, mobilidade e inspeção veicular, com atuação na articulação entre empresas, setor público e iniciativa privada. 

  • Claudia Márcia Costa, Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Professora Doutora em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2017). Visiting Scholar e Pós-Doutoranda na Universidade de Deusto (Bilbao/ES). Professora orientadora do Mestrado em Organização do Território Urbanismo e Sustentabilidade da Universidad Internacional de La Rioja UNIR (Logroño, Rioja/ES). Professora dos cursos de graduação e pós lato sensu da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e convidada em diversas instituições nacionais e internacionais nas áreas de direito constitucional, sustentabilidade e consumo.

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Publicado

2026-11-04

Edição

Seção

FACULDADE DE DIREITO - HIGIENÓPOLIS