O USO DE RECONHECIMENTO FACIAL NO SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL BRASILEIRO: O RACISMO ESTRUTURAL COMO FONTE DE SUBORDINAÇÃO A NOVAS TECNOLOGIAS

Autores

  • Nathalia Souza Santos da Silva UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (UPM) Autor
  • Humberto Barrionuevo Fabretti Autor

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo analisar de forma crítica o uso do reconhecimento facial no sistema de justiça criminal brasileiro à luz do racismo estrutural. Para isso, utiliza-se a noção de Dispositivo de Racialidade, desenvolvida por Sueli Carneiro, que constitui como um dos marcos teóricos essenciais para compreender as dimensões da criminologia crítica e para a análise das práticas do sistema de justiça criminal no país. Nesse sentido, investiga-se de que maneira o racismo estrutural induz e condiciona a utilização das tecnologias de reconhecimento facial para fins penais, destacando os padrões de criminalização que reverberam de maneira desproporcional a comunidade negra. Além disso, o estudo discute como os sistemas de videomonitoramento, embora apresentados como neutros, reproduzem preconceitos e vieses históricos, reforçando marcadores sociais de criminalização já existentes. Em última análise, demonstra-se que as tecnologias de reconhecimento facial não são apenas tecnologias que precisam ser ajustadas, mas sim instrumentos que podem perpetuar o racismo de forma sistêmica.

Biografia do Autor

  • Nathalia Souza Santos da Silva, UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (UPM)

    Universidade Presbiteriana Mackenzie – Faculdade de Direito

    Graduanda em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) como bolsista integral do Programa Universidade Para Todos (PROUNI). Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) no Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC) no qual pesquisou as implicações do racismo estrutural no uso de reconhecimento facial no sistema de justiça criminal brasileiro. Participante da 8 Edição do Programa de Diversidade Racial Incluir Direito no Mackenzie, em parceria com o CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados), que tem como objetivo inserir e apoiar o desenvolvimento profissional de pessoas negras na advocacia. Foi monitora voluntária da disciplina de Antropologia Jurídica na UPM (2024) e Diretora da equipe de produção de texto do Jornal do Prédio Três (JP3) da Faculdade de Direito (2025). Foi reconhecida por obter o melhor desempenho na Competição USP de Conhecimentos (CUCo), dentre os participantes do 2o e 3o ano do ensino médio (2019 e 2020).

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Publicado

2025-11-06