“PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA, PARA QUE SE (RE)CONHEÇA, PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA”: UM ESTUDO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA NO ENFRENTAMENTO AO TRAUMA POLÍTICO
Abstract
Nesta pesquisa, foram analisados o trauma político, decorrente da violência estatal adotada como método na ditadura militar brasileira, e seus impactos na memória das vítimas do regime. Para atingir este objetivo, foram utilizados 10 depoimentos de militantes políticos prestados à Comissão Nacional da Verdade, os quais foram organizados em três categorias temáticas, conforme os pressupostos da metodologia de “Análise de Conteúdo”: “gênero e memória”, “trauma e memória” e “comissariados como testemunhas”. O tratamento dos dados demonstrou que as violações vivenciadas pelos sobreviventes tiveram como principal consequência o duplo rompimento da relação de confiança com o mundo concreto e com a própria percepção de realidade. No tocante ao gênero, foi notado que as mulheres militantes, além da violência política, sofreram misógina, um tipo de abuso estrutural próprio à condição feminina. Por fim, a função de testemunha exercida pelos comissariados teve impacto semelhante ao efeito psicoterápico de processos analíticos. Ao desempenhar este papel, os ouvintes foram responsáveis pelo reconhecimento do trauma vivido e a retomada do laço social entre os depoentes e a sociedade. Como conclusão, foi possível notar que o silenciamento das memórias dos sujeitos acossados pelo autoritarismo alimenta discursos negacionistas no que se refere ao regime militar.Downloads
Published
2022-10-28
Issue
Section
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde