Inteiro no pedaço: cortiços e espaço público no Bixiga
Abstract
Buscando habitar regiões com infraestruturas de transporte e acessibilidade mais estruturadas, nas proximidades de oportunidades de emprego e equipamentos públicos de educação, saúde e lazer, muitas famílias de baixa renda optam pelo aluguel de quartos em cortiços na região central de São Paulo, entre elas o território do Bixiga, na subprefeitura da Sé. Os cortiços são reconhecidos pela insalubridade e condições degradantes de habitar. Em um espaço com condições tão precárias e que falta tanto aos indivíduos, as relações entre privado e público se confundem: seja pelo desconforto no ambiente físico ou pela busca de apoio e suporte, muitos dos moradores dos cortiços são impulsionados para a vivência do espaço público como forma de sociabilidade no cotidiano. O presente artigo propõe a reflexão sobre a relação entre o habitar em cortiços, como um espaço de condições degradantes, e o espaço público no cotidiano apoiando-se em cartografias técnicas e empíricas. A partir da perspectiva do pedaço de Magnani, espaço de intermédio entre a casa e a rua, são analisadas as práticas urbanas e as ocasiões de afeto e sociabilidade na cidade – a partir do foco das ruas Major Diogo, Rua Abolição e Rua São Domingos – como formas de acolhimento e apoio.