A IDENTIDADE PERIFÉRICA POR MEIO DO DISCURSO DE RAPPERS BRASILEIROS
Abstract
Este artigo utiliza a teoria semiótica de linha francesa, focado na temática e nas questões figurativas dos discursos para compreender a construção identitária de grupos periféricos, os quais frequentemente são alvos de preconceitos e injustiças. O objeto de estudo são as produções audiovisuais de rappers brasileiros, como o grupo Racionais MC's, MV Bill, Emicida e Filipe RET, e suas músicas “Vida Loka parte II”, “Soldado do Morro”, "Chapa" e “GONÊ”. A escolha desses músicos foi considerada por causa de sua contribuição social e artística que promovem para o seu público, seja por propiciar uma maior visibilidade para os moradores da periferia, como também pelas reflexões e debates em temas como o preconceito racial. A partir de suas obras, são colocadas em análise as formas utilizadas para esses artistas se expressarem e o funcionamento discursivo enquanto um meio representativo, além de se refletir sobre o contexto social, cultural e econômico como elementos discursivos. Ao escolher o rap, são perceptíveis certas características que estão presentes nas composições desses artistas como o discurso coloquial marcado por gírias e o caráter social e de denúncia em suas letras, uma vez que a maioria dos músicos e dos ouvintes pertencem à mesma realidade e, consequentemente, vivenciam conflitos como a violência, a segregação e a desigualdade.