DO MITO AO MUNDO JURÍDICO: A PERPETUAÇÃO DA FIGURA DE MEDEIA
Abstract
RESUMO
Este artigo investiga a relação entre o mito de Medeia e o infanticídio no contexto jurídico brasileiro, destacando como a figura da mulher abandonada e vulnerável ressoa em casos contemporâneos. A partir das obras de Mircea Eliade e de estudos antropológicos, o texto explora as circunstâncias que levam mulheres a cometerem infanticídio, propondo uma análise que vai além da simples tipificação penal, incorporando aspectos sociais e psicológicos que influenciam essas decisões extremas. O infanticídio, compreendido como uma resposta a situações de desespero e vulnerabilidade, é aqui discutido à luz da justiça contemporânea, sugerindo que a aplicação da lei deve ser sensível às complexidades envolvidas. A comparação entre o mito de Medeia e o caso de L.S., um exemplo paradigmático de infanticídio, evidencia a continuidade de temas como abandono, desespero e vingança ao longo da história. Este estudo propõe que a humanização da figura da mulher infanticida pode levar a uma compreensão mais profunda das motivações subjacentes ao crime, contribuindo para uma abordagem mais justa e compassiva no tratamento desses casos pelo sistema jurídico. Ao final, o artigo enfatiza a necessidade de políticas públicas que ofereçam suporte emocional e social para prevenir tais tragédias.
Palavras-chave: Infanticídio. Vulnerabilidade Social. Mito de Medeia.