AGOSTINHO E A CIDADE DE DEUS: uma análise do contexto histórico na construção da apologética cristã
Abstract
A queda de Roma foi um evento histórico de grande impacto que gerou diversas interpretações religiosas e filosóficas. O cristianismo, que se tornava cada vez mais influente em Roma, foi acusado por alguns de ter enfraquecido a civilização com suas ideias pacifistas. Enquanto alguns cristãos viam a queda de Roma como um castigo divino por pecados, outros, como Agostinho de Hipona, a interpretaram como parte de um plano divino. A partir disso, Agostinho escreve sua obra "A Cidade de Deus", na qual argumenta que a verdadeira cidade divina está no reino celestial e não na Terra. Sendo assim, ele critica a ideia de que a queda de Roma se deveu ao abandono dos deuses pagãos, apontando a decadência moral e a idolatria como causas do colapso. Ele desenvolve a teoria das duas cidades: a "Cidade de Deus", que busca valores espirituais e a "Cidade Terrena", dominada por valores materiais e seculares. Deste modo, argumenta que a história humana é guiada por um propósito divino e que as tribulações são oportunidades para a correção e a redenção.