TRAUMA TRANSGERACIONAL EM AFRODESCENDENTES JOVENS UNIVERSITÁRIOS
Abstract
Este presente artigo investigou, a partir do discurso dos colaboradores, a transmissão do trauma transgeracional e do complexo cultural na população afrodescendente e suas consequências. Por meio das falas dos diferentes sujeitos participantes, intentou-se identificar experiências e recordações traumáticas ou não traumáticas existentes entre estes, e como tal percepção da realidade pode afeta-lós de forma negativa, tanto nas memórias, pensamentos, como na autoestima/autoconceito. Realizou-se um trabalho de modalidade qualitativa descritiva/exploratória, no município de São Paulo, entre o mês de agosto de 2019 e 2020. Sucedeu-se um total de 9 entrevistas com três diferentes grupos, de acordo com a autodeclaração do sujeito como negro(a), pardo(a) ou branco(a); e com idades entre 18 e 25 anos. Nos resultados, é perceptível a influência de memórias negativas sobre a população parda e negra, apontando para a transmissão de um trauma transgeracional e de um complexo cultural; assim como uma luta de tais sujeitos para a ressignificação do que é ser negro e pardo, e dos estereótipos sociais que os acompanham por consequência do racismo. Dentre os sujeitos brancos, é possível constatar a não transmissão de um trauma transgeracional e complexo cultural, uma vez que não possuem um afetamento negativo em relação a autoestima e autoconceito, assim como em nenhuma área de suas vidas em razão da cor de pele que possuem.