AVALIAÇÃO DO CICLO CIRCADIANO E QUALIDADE DE SONO EM JOVENS UNIVERSITÁRIOS E SUA RELAÇÃO COM TRANSTORNOS MENTAIS
Abstract
Mesmo antes da COVID-19, diversos estudos já demonstravam que uma parcela importante da população universitária apresentava problemas de sono e distúrbios de humor. Sob tal perspectiva, delineou-se como objetivo do presente trabalho a investigação dos efeitos da qualidade de sono e do cronótipo na prevalência de ansiedade, depressão e estresse em jovens graduandos brasileiros, durante o período de aulas remotas. A amostra constituiu-se de 136 participantes (média de 20.84 anos), matriculados no ensino superior, sem distinção de curso ou turno. Aqueles que cumpriram com os critérios de inclusão e concordaram com as determinações do TCLE responderam aos questionários de cronótipo (Horne e Östberg), qualidade do sono (Pittsburgh) e transtornos mentais (DASS) via Google Forms. Os dados coletados revelaram que a maioria dos estudantes possui cronótipo indiferente (55.88%) e qualidade de sono ruim (63.23%). Dessa amostra, 43.38% apresentou ansiedade grave/muito grave, 40.45% depressão grave/muito grave e 46.33% estresse grave/muito grave. Para investigarmos a associação entre essas variáveis, aplicamos o teste do χ2 de Pearson e a razão de chances (odds ratio) para comparações mais específicas. Associações fortes foram encontradas entre a qualidade de sono e o humor, indicando que indivíduos com boa qualidade de sono apresentaram, de modo geral, níveis mais baixos para transtornos mentais. Não foram encontradas associações entre o cronótipo e as demais variáveis, nem tampouco entre qualidade de sono e turno de estudo. Nossos resultados sugerem que há forte associação entre a incidência de transtornos mentais e a qualidade de sono ruim e ou distúrbios do sono.