IRONMAN BRASIL DE 2001 A 2010: UM OLHAR HISTÓRICO-SOCIOLÓGICO SOBRE A CONSOLIDAÇÃO DO EVENTO
Abstract
Este estudo analisa a trajetória do Ironman Brasil, realizado em Florianópolis, entre 2001 e 2010, à luz da teoria bourdieusiana, com foco nos conceitos de campo, habitus, capital simbólico e violência simbólica. A motivação da pesquisa surge da escassez de estudos que articulem História e Sociologia na compreensão de grandes eventos esportivos, especialmente no triathlon de longa distância. O objetivo geral foi compreender como elementos socioculturais contribuíram para o crescimento e consolidação do evento no cenário nacional, identificando também os agentes envolvidos e suas relações de poder. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e caráter exploratório, analisando 17 reportagens publicadas em veículos digitais de domínio público. Os resultados evidenciam que o Ironman Brasil se consolidou como um subcampo esportivo com regras próprias, valorizando principalmente a categoria de elite, em detrimento da visibilidade dos atletas amadores. Observou-se que a cobertura midiática reforçou a legitimação simbólica da elite esportiva e que a busca por capitais simbólicos, como o status de campeão, a vaga para o mundial em Kona e o título de “homem de ferro”, impulsionou a expansão do evento. Conclui-se que a teoria de Bourdieu oferece instrumentos eficazes para compreender as dinâmicas sociais presentes, sugerindo como desdobramento a análise da participação de amadores, questões de gênero e raça no contexto da prova.