DIFERENCIAL DE RENDIMENTOS POR GÊNERO: UMA ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIOS CONTÍNUA DE 2019

Authors

  • Raisa do Nascimento Ribeiro Mackenzie Presbyterian University image/svg+xml Author
  • Paulo Rogério Scarano Mackenzie Presbyterian University image/svg+xml Author

Abstract

O presente trabalho tem como objetivo estimar o diferencial de rendimentos horários por gênero, quando são semelhantes o grau de escolaridade, a faixa etária, a posição, o setor de atividade e a ocupação profissional. A conjectura deste projeto é de que se indivíduos com características semelhantes recebem remunerações estatisticamente distintas, não se pode descartar a hipótese de discriminação. Para isso, foi estimado um modelo, baseado no método de decomposição de Oaxaca, em que há uma equação para cada grupo (homens e mulheres), extraindo-se os respectivos coeficientes e médias e decompondo-se dos diferenciais de rendimentos em dois componentes: aquele que pode ser explicado pela diferença média de atributos entre os grupos e aquele que não pode ser explicado pela diferença média de atributos e características observáveis. O trabalho mostra que o rendimento horário médio dos homens é de R$15,12 e o das mulheres é de R$13,63, implicando uma diferença efetiva de R$1,49. No entanto, os resultados mostram que esse diferencial pode estar subestimando. O trabalho mostra que diferença de rendimentos está presente em quase todas as posições, atividades e ocupações e não pode ser explicada pelo diferencial de atributos, entre homens e mulheres. Assim, dadas as características e atributos observáveis de homens e mulheres e considerados os coeficientes estimados para o grupo padrão (homens), o rendimento horário das mulheres estimado deveria ser de R$18,05, implicando que o componente inexplicado do diferencial de rendimentos é de R$4,42. Nesse contexto, não se pode afastar a hipótese de discriminação de gênero no mercado de trabalho.

Published

2022-10-27

Issue

Section

Centro de Ciências Sociais Aplicadas