O PROCESSO COMO PENA: A INVIABILIZAÇÃO FÁTICA DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL

Authors

  • Ana Luiza Behar Pinheiro Fabricio Mackenzie Presbyterian University image/svg+xml Author
  • Rafael Folador Strano Mackenzie Presbyterian University image/svg+xml Author

Abstract

O presente trabalho analisou criticamente a aplicação prática do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), introduzido pela Lei nº 13.964/2019, no contexto da justiça penal brasileira. A partir da coleta de dados junto aos Ministérios Públicos estaduais, foram identificados quatro elementos problemáticos que comprometem a efetividade do instituto: a exigência da confissão como requisito indispensável; a reparação de danos tratada como condição central para celebração do acordo; a prestação pecuniária fixada em patamar desproporcional à realidade socioeconômica dos investigados; e a ausência de padronização entre os MPs. Esses fatores contribuem para a inviabilização fática do ANPP, reproduzindo desigualdades estruturais e promovendo seletividade penal. Ademais, a burocracia sistêmica e a morosidade processual reforçam a noção de “processo como pena”, estigmatizando o acusado e restringindo o exercício pleno de direitos fundamentais, como o contraditório e a ampla defesa. Conclui-se que, para que o ANPP cumpra sua finalidade de celeridade, racionalização e justiça restaurativa, faz-se necessária a uniformização de diretrizes nacionais e a adaptação das exigências legais à capacidade real dos investigados, de modo a reduzir a discricionariedade e as barreiras socioeconômicas.

Author Biographies

  • Ana Luiza Behar Pinheiro Fabricio, Mackenzie Presbyterian University
    Estudante de direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie (2023-2027). Pesquisadora bolsista na modalidade de iniciação científica PIBIC CNPq (2024-2025).
  • Rafael Folador Strano, Mackenzie Presbyterian University
    Doutor (2021) e Mestre (2016) em Direito Penal e Criminologia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2007). Professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Campus Alphaville). Professor convidado do curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Direito Penal e Direito Processual Penal da Escola Paulista de Direito - EPD. É Defensor Público do Estado de São Paulo (2009), foi Diretor da Escola da Defensoria Pública do Estado de São Paulo - EDEPE (2018-2020) e, atualmente, é Coordenador do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Ciências Criminais da EDEPE. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Penal e Criminologia.

Published

2025-12-02