OCUPAÇÕES URBANAS: O INCÊNDIO DO EDIFÍCIO WILTON PAES DE ALMEIDA E SUA REPERCUSSÃO MIDIÁTICA
Resumo
A trajetória dos movimentos sociais de moradia no Brasil é marcada por uma intensa perseguição político-social, na qual os veículos de mídia desempenham um importante papel. Os meios de comunicação de massa possuem enorme influência no pensamento coletivo, mas são historicamente utilizados pela força das classes dominantes como forma de propagar informações de maneira ideológica, atreladas aos interesses dos grupos que os compõem. Isto posto, entende-se que durante décadas os movimentos sociais nacionais se viram obrigados a encontrar formas alternativas de comunicação para divulgação de suas lutas, reivindicações e organizações. Dentre os grupos mais afetados pela parcialidade dos veículos de mídia, estão os grupos que lutam por moradia, frequentemente, rotulados de invasores, criminosos e violentos em decorrência do processo de ocupação de imóveis e terrenos ociosos, ações que protestam por políticas públicas habitacionais. Esses rótulos advêm do simples fato de que esses movimentos dificilmente são noticiados, a não ser quando há conflito com as autoridades, e da falta de conhecimento da legislação por parte da população. A tragédia ocorrida no Largo do Paissandu, em 2018, tornou-se um divisor de águas na luta por moradia, pois desencadeou um longo debate acerca da criminalização dos movimentos, sendo amplamente divulgada pela mídia nacional e internacional. A partir da consulta bibliográfica referenciada, análise de reportagens sobre a tragédia e sobre ocupações antes e depois do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, buscou-se refletir sobre o impacto da mídia na mobilização social e na trajetória dos movimentos sociais.