A CRÔNICA DE JORNAL E O HIBRIDISMO DISCURSIVO: A LEITURA CRÍTICA DO TEMPO PRESENTE
Resumo
A pesquisa que originou este artigo teve por objetivo investigar as estratégias discursivas do gênero crônica que dão suporte à construção de uma reflexão crítica acerca do tempo presente. Isto é, quais são os recursos utilizados pelos cronistas que pretendem retratar a realidade num ponto de vista denunciativo e compreender de que forma os aspectos inerentes à crônica propiciam essa releitura sobre a atualidade. O referencial teórico busca resgatar definições elementares do gênero, no que tange aos aspectos formais primários. A ideia central foi investigar se as características do gênero, bem como as articulações que a crônica sugere enquanto texto, contribuem para uma intentada crítica social/política e, consequentemente, para narrar a realidade atual de forma efetiva, fidedigna e coerente. O foco de análise foi designado à teoria dos pactos da veracidade e da ficcionalidade, na compreensão de que a crônica não está comprometida com a veracidade, o que não a impede de veicular verdade, pelo contrário, essa não obrigatoriedade possibilita que essas crônicas alcancem destinos mais diversos e ricos. Foram analisadas crônicas de Antonio Prata, autor que escreve para a Folha de S. Paulo aos domingos no caderno Cotidiano. A faixa temporal escolhida foi o período das últimas eleições gerais brasileiras (2018) e o que foi publicado imediatamente depois, o que abarca o ano de 2019. Esse conjunto de crônicas selecionadas serviu como objeto de análise que, atreladas à teoria lida, exemplificam o argumento desenvolvido neste artigo, na defesa de que a crônica, tanto por suas propriedades inerentes ao gênero quanto pelos recursos estilísticos e discursivos dos quais se apropria, é um instrumento eficaz no relato da realidade do tempo presente.