INDUÇÃO DA MÃO DE BORRACHA NA COMPREENSÃO DO VIÉS RACIAL
Autores
Beatriz Helena de Souza Atti
Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM
Autor
Paulo Sérgio Boggio
Autor
Biografia do Autor
Beatriz Helena de Souza Atti, Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM
A cor da pele é uma diferença particularmente relevante entre os grupos raciais e, como tal, parece ser um método padrão entre os estudos para separar os indivíduos em categorias endogrupo e exogrupo, sendo utilizado em processos de sóciocognição. As experiências multissensoriais têm um papel importante na cognição social e podem ser experienciadas por meio da utilização de técnicas como o paradigma da ilusão da mão de borracha. A IMB é uma experiência perceptiva (visu-tátil), que ocorre quando uma mão de borracha é estimulada com um pincel de forma simultânea e sincrônica com o toque feito com outro pincel na mão correspondente a do indivíduo, que deve estar ocluída da visão. Com isso, à medida que a cor da pele influencia na indução da IMB, é possível que este paradigma seja viável nas investigações entre as distinções sociais na influência da propriedade do corpo. O presente estudo buscou compreender o viés racial por meio da indução da mão de borracha utilizando mãos de cores de diferentes raças e sem representação racial. Os resultados do estudo demonstraram que os caucasianos têm menor sensação de propriedade quando tratamos de um exogrupo e uma sensação alta de propriedade perante ao próprio grupo. Em contrapartida os afrodescendentes, possuem uma maior maleabilidade na questão de pertencimento de grupo e de propriedade com exogrupos. Essa discrepância de percepções entre afrodescendentes e caucasianos é surpreendente dada a miscigenação existente no Brasil.