O PAPEL DA ÁREA FUSIFORME DA FACE NO VIÉS RACIAL: ESTUDO COM ESTIMULAÇÃO POR CORRENTE CONTÍNUA EM JOGO DO ULTIMATO
Resumo
Formar grupos é fundamental aos seres humanos, que se agrupam como base em características como traços fenotípicos semelhantes observáveis e crenças, tornando possível formar alianças. Esse fenômeno, contudo, pode gerar hostilidade contra pessoas percebidas como pertencentes a outros grupos, a partir do viés de favoritismo do próprio grupo (endogrupo), que, muitas vezes, levam a preconceito contra grupos externos (exogrupos). Diversas abordagens são utilizadas para estudar o viés intergrupal, como o Jogo do Ultimato e técnicas neurocientíficas como a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), porém poucos são os estudos investigando o papel dos processos perceptuais básicos nos fenômenos intergrupais. Assim, o presente estudo buscou investigar o papel de uma área perceptual (área fusiforme da face) no viés intergrupal, a partir do Jogo do Ultimato, investigando o impacto da ETCC no padrão comportamental nesse jogo. Os resultados apontaram um efeito estatisticamente significativo do Tipo de Proposta, indicando que os participantes aceitaram mais propostas justas e recusaram mais propostas injustas. Não houve efeito significativo para o tipo de estimulação recebida (anódica ou catódica). Esses achados sugerem um possível autocontrole, por parte dos participantes, para não demonstrarem preconceitos durante a realização da tarefa comportamental, o que pode explicar a ausência de efeito de grupo tanto para quem recebeu a estimulação catódica ou anódica quanto para quem não recebeu. Futuras pesquisas com outras técnicas neurocientíficas ainda são necessárias para testar se esse efeito é observado também em contextos onde a diferença grupal não estiver explícita.