A POPULARIZAÇÃO DA NARRAÇÃO DE CASOS CRIMINAIS NAS PLATAFORMAS DIGITAIS POR INDIVÍDUOS SEM FORMAÇÃO JORNALÍSTICA
Resumo
O presente artigo discute a exploração de crimes reais nas mídias sociais por indivíduos sem formação acadêmica em jornalismo e as problemáticas envolvidas nessa questão, a partir da análise de três vídeos produzidos por influenciadores que possuem canais no YouTube, com número significativo de inscritos e visualizações. Fazendo uso da pesquisa bibliográfica, com consulta a livros que debatem a ética no jornalismo, apuração e técnicas de reportagem e a importância da formação profissional do jornalista, o artigo, a partir de uma abordagem qualitativa, analisa os vídeos selecionados, levantando algumas características em comum, na busca por audiência, e deslizes que costumam ser cometidos e que entram em choque com o que prega o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, o qual também é usado como referência documental. Autores como Eugênio Bucci, Francisco José Karam e Paula Melani Rocha aparecem como nortes teóricos da pesquisa. O estudo mostra como os vídeos em análise acabam desrespeitando os personagens envolvidos no fato, não publicizando informações sobre as fontes utilizadas na sua produção e fazendo uso de estratégias sensacionalistas. O artigo levanta a discussão sobre a necessidade de a narração de casos criminais ser feita com responsabilidade, uma vez que, a depender de sua abordagem, ela pode incitar ao ódio ou acabar estimulando comportamentos descontrolados da audiência, como linchamentos virtuais. O texto ainda destaca a importância do jornalismo como curador de conteúdo e a formação acadêmica como oferecedora de princípios éticos e de todo um ferramental essencial para a checagem e a apuração das informações.Downloads
Publicado
2023-11-29
Edição
Seção
Centro de Comunicação e Letras