REFORMA DA PREVIDÊNCIA CHILENA E O NÍVEL DE POUPANÇA DOMÉSTICA NO CHILE
Resumo
O presente trabalho busca investigar se houve variação significativa nas taxas de poupança doméstica após a reforma previdenciária chilena que adotou o regime de capitalização, no início dos anos oitenta. Para isso, parte-se de uma discussão inicial sobre os determinantes da poupança doméstica, mostrando os mecanismos que permitem conectar nível de poupança e regime previdenciário. Assim, o trabalho prossegue esclarecendo o que é previdência, os tipos de regimes existentes e como se financiam. Em seguida, traça-se um breve histórico da evolução do sistema previdenciário chileno, desde o processo de implementação do regime original de repartição, discutindo-se os problemas que comprometeram sua permanência e que motivaram a reforma, até a mudança para o regime para capitalização. Por fim, procede-se à análise empírica, utilizando dados chilenos de 1960 a 2019, para avaliar se há mudança estatisticamente significativa nas taxas de poupança domésticas do Chile pós-reforma. Os testes realizados revelam taxas médias de poupança superiores no período posterior à adoção do regime de capitalização e que tal diferença é estatisticamente significante. Ademais o modelo econométrico utilizado revela que a mudança para o regime de capitalização, capturada por uma dummy temporal, juntamente com o crescimento da renda real per capita, foi positiva e estatisticamente significante. Adicionalmente, o teste realizado não encontra significância estatística para a taxa de juro real.