GUERREIRA NÃO É ELOGIO: ESTUDO TRANSGERACIONAL SOBRE AS REPRESENTAÇÕES DAS MULHERES PERIFÉRICAS
Resumo
O presente estudo teve por objetivo compreender as percepções de mulheres periféricas,negras e/ou pardas, acerca do papel de guerreira que lhes foi atribuído, visando averiguarse o conhecimento transmitido entre três gerações de mulheres colaborou para promovermudanças de paradigma. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que utilizou comoinstrumento metodológico a entrevista semiestruturada, a qual abordou as seguintestemáticas: história de vida, educação, trabalho, discriminação racial e feminismo. A amostrafoi composta por doze mulheres, de quatro famílias distintas, pertencentes a três diferentesgerações. A interpretação dos dados se deu por meio da metodologia de Análise deConteúdo, uma técnica que valoriza a comunicação, atuando principalmente como umestudo da linguagem em si e de seus significados. Concluiu-se que, embora se verifique amanutenção de pensamentos oriundos do patriarcado, é notória a conquista de direitos paraas mulheres da geração atual. As mulheres da terceira geração ainda sentem os efeitos domachismo em seu dia a dia, mas percebem as mudanças ocorridas ao longo dos anos, quelhes ampliam o poder de escolha. No que se refere ao termo “guerreira”, a palavra de fatotornou-se um elogio a essas mulheres, que têm suas histórias apoiadas em batalhas quetravaram para sobreviver. O termo gera identificação com a própria história e traz o almejadoreconhecimento, ainda que oculte os efeitos da desigualdade de raça, classe e gênero.Downloads
Publicado
2023-11-29
Edição
Seção
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde