AS RELAÇÕES INTERTEXTUAIS E PARODÍSTICAS ENTRE OS SERTÕES E O APOCALIPSE

Autores

  • Allan Marx de Morais Pereira Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor
  • João Cesário Leonel Ferreira Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor

Resumo

Esse artigo, resultado de nossa pesquisa de iniciação científica, examina as relações intertextuais e parodísticas entre Os Sertões, de Euclides da Cunha, e o Apocalipse, de João, uma hipótese originalmente formulada pela crítica literária Walnice Nogueira Galvão (2009). Por meio do método das passagens paralelas, constatamos que, na representação euclidiana do Arraial de Canudos, foram empregadas, de fato, imagens invertidas do retrato bíblico da nova Jerusalém: a cidade santa, quadrangular, simétrica, feita de ouro e pedras preciosas, converte-se no arraial de barro, construído irracionalmente, a esmo; a igreja, inexistente, aparece informe, tosca; o rio de água viva dá lugar ao Vaza Barris barrento, seco; a árvore da vida é trocada pela natureza morta; e, ao invés da graça divina, a maldição é imprecada. De acordo com a teoria da paródia de Linda Hutcheon (1985), estudiosa que, a partir do caráter duplo da raiz etimológica do vocábulo – contracanto ou canto paralelo –, concebeu uma definição de paródia como repetição com diferença, capaz de contemplar práticas modernas que não necessariamente lançam mão do ridículo, concluímos que há, realmente, uma relação parodística entre Os Sertões e o Apocalipse. Além disso, com base nos estudos de Gérard Genette (2006), identificamos ocorrências de intertextualidade entre as obras, especialmente por meio de alusões.

Biografia do Autor

  • Allan Marx de Morais Pereira, Universidade Presbiteriana Mackenzie
    Licenciando em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás e especialista em Revisão de Textos pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
  • João Cesário Leonel Ferreira, Universidade Presbiteriana Mackenzie
    Possui graduação em Teologia - Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas-SP e em Letras - Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo; mestrado em Ciências da Religião com concentração em Bíblia pela Universidade Metodista de São Paulo; doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas; pós-doutorado em História da Leitura pelo Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, Portugal. É professor no Seminário Presbiteriano do Sul e na graduação e pós-graduação em Letras (onde trabalha na linha de pesquisa: literatura e discurso religioso), Universidade Presbiteriana Mackenzie. Editor da Revista Todas as Letras. Coordena o Núcleo de Estudos Bíblia e Literatura (CNPq).

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Publicado

2023-11-29

Edição

Seção

Centro de Comunicação e Letras