CONCEPÇÕES E POSICIONAMENTOS DE FUTUROS PSICÓLOGOS FRENTE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Autores

  • Caroline Pardim Pellizari Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor
  • Erich Montanar Franco Autor

Resumo

Considerando que o discurso dos estudantes de psicologia sobre a violência contra a mulher tem estreita relação com sua história de socialização e com a formação universitária, levantamos a necessidade de compreender suas concepções sobre esse fenômeno e sobre o papel da psicologia no seu enfrentamento. Para tanto, foram feitos três grupos focais com oito participantes cada, participando da pesquisa estudantes do último ano de graduação em psicologia de todo o Brasil. A análise das discussões mostra que, apesar dos estudantes recorrerem aos dispositivos sociais para discutir formas de entendimento da violência e resgatar a integralidade biopsicossocial dos sujeitos, não houve profundidade acerca do enfrentamento em casos de violência contra a mulher e esteve ausente das discussões a dimensão de gênero intrínseca ao entendimento do tema. Também registramos grande crítica à formação em psicologia, pelo seu distanciamento da realidade social brasileira e pela limitada apresentação de ferramentas para lidar com o tema, sendo que as formas de enfrentamento do problema ficaram restritas ao modelo clínico. Os resultados indicam futuros psicólogos engajados às temáticas sociais, concebendo o sujeito como integral, no entanto, com pouca apropriação das diferentes formas de atuação para além da prática clínica. Cabe refletir sobre os currículos e as estratégias pedagógicas, mas não podemos perder de vista o distanciamento desses estudantes da realidade brasileira. Em outras palavras, nos perguntamos se é tarefa exclusiva da universidade a aproximação dos distintos grupos sociais historicamente apartados e se esse espaço de formação é suficiente para isso.

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Publicado

2022-11-10

Edição

Seção

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde