A CRUELDADE E A AGRESSIVIDADE EM NIETZSCHE
Resumo
No presente trabalho, pretende-se realizar uma investigação do papel dos instintos de crueldade e de agressividade na filosofia de Nietzsche bem como eles foram canalizados ao longo do processo civilizatório. Inicia-se o primeiro capítulo investigando a composição orgânica do homem e a explicitação de como efetua o ‘salto’ de sua mera condição biológica para se tornar um ser de cultura. No segundo capítulo, toma-se como referência o procedimento genealógico e a fisiopsicologia, presentes no pensamento do autor, com o objetivo de elucidar todo o processo formativo do homem, mediante o nascimento da memória-da-vontade e da moralidade do costume fazendo com que o homem se tornasse responsável pela palavra empenhada. Neste momento, a pesquisa se detém no instinto de crueldade – do ver-sofrer, para o fazer-sofrer como ingrediente constitutivo da própria cultura. Como resultado de todo esse longo processo, quando da instauração da cultura ocidental, encontrou-se a crueldade voltada contra o próprio homem na medida da consolidação do ideal ascético. Por fim, no último capítulo, discutiu-se sobre uma das alternativas que Nietzsche propõem para estes instintos, já que eles não podem ser extirpados do homem pois, são constitutivos de sua natureza orgânica. Para empreender essa proposta, utilizou-se textos do próprio Nietzsche, com ênfase na obra Genealogia da Moral (1998). Também fez-se uso de alguns comentadores quando suas posições se mostraram relevantes para a compreensão desses escritos.