Os impactos da pandemia do COVID-19 na saúde mental materna: da gestação aos primeiros meses com o bebê
Resumo
A gestação faz parte de uma das crises transicionais no desenvolvimento da mulher, estando relacionada a aspectos sociais, como reestruturação familiar; físicos, como alterações hormonais; e psíquicos, como ambivalência afetiva. Em São Paulo, é visto um número elevado de diagnósticos de transtornos mentais envolvendo essa população, sendo ainda mais impactado pelo isolamento social consecutivo da propagação da COVID-19. Dessa forma, o estudo explora as principais alterações emocionais de mulheres paulistas durante a gestação, o parto e o pós-parto no contexto pandêmico, através de uma pesquisa explanatória-descritiva de abordagem qualitativa. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semi estruturadas, enquanto os dados foram interpretados a partir da análise de conteúdo de Bardin, utilizando a técnica de análise temática. Foram realizadas oito entrevistas que foram posteriormente transcritas e codificadas, resultando em cinco categorias (Gravidez: sentimentos e isolamento social; Parto: escolha do hospital e visitação pós-parto; Pós-parto: sentimentos e contato com familiares; Acompanhamento com profissionais de saúde; e Saúde: amamentação e vacinação), além de uma categoria complementar (Além da pandemia: via de parto). Foi constatado que as particularidades da pandemia potencializaram sentimentos tidos como negativos durante a gestação e o pós-parto, resultado do estreitamento da rede de apoio. Entretanto, não foram identificadas alterações significativas no acompanhamento com obstetra e pediatra, nem influências no contato com a equipe de saúde durante o parto, apesar de haver restrições para a visitação. Também foi observado o desejo de amamentar após a vacinação para transmissão de anticorpos, embora houve sentimentos conflitantes relacionados a imunização.