O LUGAR DO PENSAR AUTOMATICAMENTE E SOCIALMENTE NAS CONDUTAS (DES)HONESTAS DOS AGENTES DO MUNDO REAL

Autores

  • Gabriel Ortiz de Carvalho UPM Autor
  • Roberta Muramatsu Autor

Resumo

Há uma longa tradição na literatura econômica de considerar a corrupção como um crime de cálculo. No entanto, as ciências comportamentais destacam que condutas desonestas e corruptas do mundo real exigem uma compreensão mais profunda dos mecanismos cognitivos e sociais subjacentes aos julgamentos e decisões dos indivíduos. As pesquisas empíricas da economia comportamental oferecem evidências de que os mesmos indivíduos fazem escolhas mais arriscadas quando se percebem em contextos de perdas (loss aversion) e tomam decisões avessas ao risco quando as tarefas lhes são apresentadas em termos de ganhos, sendo, portanto, sensíveis aos efeitos de molduras decisórias ou efeitos de enquadramento. Ademais, inúmeros experimentos econômico-comportamentais revelam que as ações individuais influenciam e são influenciadas pelo entorno social e a disposição humana de cooperar de modo recíproco. Inspirado por tais avanços na compreensão acerca da psicologia da escolha individual, este artigo revisa brevemente a literatura da economia comportamental da corrupção e, em seguida, propõe uma investigação empírica preliminar para investigar a influência da aversão à perda, combinada com efeitos de enquadramento, e da reciprocidade no comportamento desonesto. Em uma pesquisa de opinião realizada com alunos de várias turmas de graduação em economia de uma universidade brasileira, os respondentes foram apresentados a dois cenários que compuseram os dois estudos da presente investigação. No primeiro estudo, os entrevistados selecionaram a chance de uma personagem fictícia se envolver em uma atividade desonesta; alguns participantes foram apresentados o cenário (moldura decisória) em termos de ganho e outros em termos de perda. No segundo estudo, os respondentes emitiram suas opiniões acerca da aceitabilidade do comportamento de um grupo de alunos fictício em relação a uma aluna também hipotética que havia cooperado com eles anteriormente. Duas versões do cenário foram formuladas e atribuídas a diferentes participantes, em uma os alunos cooperaram reciprocamente com a aluna e em outra não o fazem. Os resultados obtidos pela investigação deram suporte empírico mais claro a respeito da influência das normas sociais de reciprocidade na aceitação da conduta desonesta.

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Publicado

2023-11-29

Edição

Seção

Centro de Ciências Sociais Aplicadas