O Impacto Da Ficção Na Identidade do Sujeito: Uma Reflexão Ontológica aos olhos da Fenomenologia
Resumo
O ensaio tem como finalidade investigar a relação entre a ficção e a formação da identidade. A base teórica é a fenomenologia de Husserl, Sartre e Camus. A consciência, para Husserl, é sempre intencional e os atos psíquicos que apreendem a ficção são vividos como reais. O ensaio rejeita a visão simplista de um divórcio absoluto entre ficção e realidade. Argumenta-se que, como a realidade é uma experiência percebida e interpretada pela consciência, a ficção é uma forma de realidade. A identidade, sob a ótica sartreana, não é uma essência oculta, mas o fenômeno do ser em si mesmo, um "conjunto organizado de qualidades" manifestas. O impacto da ficção na identidade é proporcional ao seu poder de "convencimento". Se uma obra ficcional é convincente, a experiência do sujeito com ela é real e transformadora, alterando sua percepção de si e do mundo. Albert Camus vincula a ficção ao "sentimento do absurdo”, permitindo expressar o inexprimível e ressignificar a existência. Através da arte, sentimentos complexos e metafísicas pessoais ganham um universo para se manifestar, combatendo o vazio. A conclusão é que a ficção tem um impacto constitutivo na identidade tão potente quanto a "realidade objetiva".