CULTURA DO CANCELAMENTO, UM SISTEMA INQUISITÓRIO DOS TEMPOS ATUAIS
Resumo
O presente artigo trata da discussão quanto ao surgimento da cultura do cancelamento como um fenômeno agressivo e imediatista, pautado no abuso argumentativo da aplicação da liberdade de expressão sem que se observe os direito da pessoa ofendida. Busca-se entender pontos que influenciaram no surgimento da cultura do cancelamento e que fazem com que tal procedimento seja visto como algo compreensível por parte da sociedade. Além disso, procura-se analisar a "cultura do medo" e o papel da mídia de massa na formação de um pensamento punitivista e a sua influência aos atos canceladores, bem como a própria influência do denominado "quarto poder" nos processos penais e no pensamento daqueles envolvidos nos processos, e também a interferência, muitas vezes inconsciente, da cultura do cancelamento nesses processos, especialmente nos de maior repercussão midiática. No mais, discute-se também o grande dilema entre a liberdade de expressão e a cultura do cancelamento, assim como o discurso de ódio como sendo um limite à liberdade de expressão e a busca por soluções para que seja possível ter o controle do cancelamento, e que se busque promover a proteção da dignidade da pessoa humana sem que haja um ato de limitação que possa ser confundido com censura ou qualquer outro ato de forte restrição.