A APROPRIAÇÃO DE ESTÉTICAS CONTEMPORÂNEAS: A PUBLICIDADE DA ARQUITETURA URBANA DE SÃO PAULO E SEU USO DO SOLARPUNK COMO ARGUMENTO DE COMUNICAÇÃO
Resumo
Esta iniciação científica investiga a apropriação de subculturas na arquitetura, tomando o solarpunk como eixo para compreender como a comunicação de empreendimentos residenciais em São Paulo mobiliza seus códigos estéticos e discursivos. O objetivo é identificar em que medida tais referências promovem apenas um imaginário verde de consumo ou sinalizam práticas urbanísticas sustentáveis. Adotou-se revisão bibliográfica sobre estética e solarpunk, mapeamento histórico de matrizes (Cidade‑Jardim, art nouveau, vanguardas) e análise de conteúdo/visual de panfletos impressos de três empreendimentos coletados no espaço urbano paulistano (2025). A análise considerou paleta cromática, composição, tipografia, léxico publicitário e presença de elementos biofílicos e/ou infraestruturas ecológicas. Os materiais convergem para uma integração visual com a natureza (verde, madeira, luz natural) e para o reforço de valores de status e exclusividade; empregam a retórica do “preparado para o futuro”, porém sem evidências de soluções socioambientais concretas (energia renovável, gestão hídrica, hortas, circularidade). Conclui-se que predomina um “solarpunk de vitrine”, no qual a estética opera como mediadora afetiva de venda, dissociada de compromissos urbanísticos e comunitários. O estudo contribui ao explicitar o descompasso entre imagética utópica e práticas do mercado imobiliário e sugere ampliar o corpus para mídias digitais e verificar casos com métricas ambientais verificáveis.Downloads
Publicado
2025-12-09
Edição
Seção
Centro de Comunicação e Letras