ENTRE A VIRGEM, OS BEATOS E AS RELIGIOSIDADES: AS EXPRESSÕES PECULIARES DO CATOLICISMO NA CIDADE SERTANEJA DE MONTEIRÓPOLIS (AL)

Autores

  • Fabiano de Oliveira Gomes Pereira Universidade Presbiteriana Mackenzie image/svg+xml Autor
  • Gerson Leite de Moraes Autor

Resumo

A formação da religiosidade brasileira apoiou-se nos alicerces do catolicismo português e nas tradições indígenas e africanas. Nos primeiros três séculos, viver no Brasil significava ser católico. Nativos e negros converteram-se forçosamente à nova religião. No entanto, os jesuítas, principais missionários do catolicismo oficial, fracassaram em preservar os ideais dogmáticos propostos pelo Concílio de Trento. Em consequência, o catolicismo nos interiores do Brasil incorporou características das três matrizes étnicas formadoras do povo brasileiro. Nos grandes centros urbanos, a fé católica definiu-se pela rigidez litúrgica e eclesiástica. Não obstante, no sertão configurou-se um catolicismo peculiar, à maneira do povo. Assim, a presente pesquisa busca a compreensão do porquê e como os elementos culturais e religiosos do povo sertanejo prevaleceram sobre a ortodoxia do catolicismo português. A partir de uma análise literária e investigação in loco das práticas católicas em Monteirópolis (AL), o respectivo artigo destaca quatro características comuns do catolicismo popular, a saber: Tradição familiar, forte apego aos santos, vínculos de intimidade com os ícones venerados e solução dos problemas cotidianos. Diante das adversidades que sempre envolveram o sertão nordestino, os sertanejos de ontem e de hoje encaram o sagrado com afetividade e esperança. Num ambiente de incertezas, indiferenças e injustiças, a busca pelo divino provocou o fenômeno do catolicismo popular, engendrado pelo imaginário de um povo oprimido e ávido por transformação.

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Publicado

2022-11-16

Edição

Seção

Centro de Educação, Filosofia e Teologia