A RELAÇÃO ENTRE LINGUAGEM E MUNDO NO TRACTATUS LOGICO-PHILOSOPHICUS
Resumo
Este artigo tem o objetivo de analisar a relação entre mundo, linguagem e pensamento proposta por Ludwig Wittgenstein no Tractatus Logico-Philosophicus. A filosofia desenvolvida pelo autor neste livro pretende estabelecer as condições de possibilidade de formulação de enunciados verdadeiros e falsos. Pretendemos estabelecer quais seriam os limites da enunciação lógica dos fatos, ou seja, delimitar os limites do discurso factual. Para fundamentar tal tese, nos valeremos de três conceitos-chave presentes na obra do autor, sendo eles: a linguagem, o mundo e o pensamento. O mundo, segundo a perspectiva do filósofo austríaco, independe da vontade do sujeito, constituindo-se como uma contingência. A linguagem por sua vez teria a função de representar logicamente - por meio de signos perceptivelmente sensíveis - aquilo que ocorre enquanto fato. O Tractatus trabalha com a hipótese de que o mundo e a linguagem partilham de uma mesma estrutura; sendo assim, o mundo de certo modo determinaria os limites da linguagem. Ao compreender a relação estabelecida entre essas categorias, podemos trabalhar com a distinção daquilo que pode ser dito e daquilo que se mostra, para assim fundamentar quais são aquelas proposições dotadas de sentido e quais se constituem como contrassensos lógicos. Segundo a perspectiva adotada por Wittgenstein, proposições relacionadas à ética, estética e religião situar-se-iam para além dos limites da linguagem.