REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ACERCA DO CURSO DE PSICOLOGIA ENTRE EX-VESTIBULANDOS DE MEDICINA
Resumo
Este artigo tem por objetivo analisar as representações sociais acerca da profissão de psicólogo e outros os aspectos psicossociais que sustentaram essa escolha pelo curso de psicologia entre estudantes que tinham como primeira opção a carreira médica. Foram realizadas 14 entrevistas semi-estruturadas com estudantes de Psicologia de uma universidade particular da cidade de São Paulo, todos prestaram vestibular para medicina anteriormente. As entrevistas nos permitiram identificar representações sociais das profissões predominantemente voltadas para a prática clínica privada e para o trabalho no hospital. Em ambos os casos, destaca-se a aproximação com o trabalho médico. Os relatos dos entrevistados também indicam uma desvalorização das demais profissões quando comparadas à medicina. Há uma supervalorização da profissão de medicina associada ao status socialmente atribuído e à expectativa de alta remuneração. As duas profissões foram relatadas como profissões de cuidado: a medicina foi associada ao campo da saúde e a psicologia relacionada à “conversa” e acolhimento. As entrevistas nos permitiram constatar uma representação social do psicólogo como um profissional liberal, sendo a área clínica a mais presente no ideal coletivo, seguida pela área hospitalar, docência e organizacional. Houve também reflexão sobre o papel da orientação profissional nesse processo, considerando as influências que os adolescentes recebem para fazer a escolha profissional.