EDUCAÇÃO E CURRÍCULO: O QUE SERÁ DA FILOSOFIA?
Resumo
Este trabalho revela a princípio uma preocupação com as alterações curriculares a respeito da filosofia na educação e suas consequências: a diluição do senso crítico e reflexivo no processo de ensinar e aprender, colocando em questão a divergência entre o processo de aprendizado com a epistemologia filosófica, em sua ontologia lógica e dialética. O método utilizado é o Estado da Arte, com análise de 43 artigos, da base Scielo, selecionados por cruzamentos de palavras-chaves que estruturam o tema: Filosofia, Currículo e Educação.
Recomenda-se uma indagação às ciências que incorporam e utilizam como base a filosofia, para que se possa repensar as estratégias e congruências destas com a teoria do conhecimento filosófico e, por conseguinte, estruturar as bases educacionais da saúde, da política e da sociedade, promovendo um caráter ético para a formação humana.
Conclui-se que não somente a retirada da filosofia é prejudicial, tanto emergencialmente, quanto em longo prazo, à educação, mas também que o entendimento da filosofia da educação, dissociado da epistemologia e da lógica, corresponde a um retrocesso do manejo da polis e da conquista de direitos como processo de humanização, de participação política ativa e democrática, pois acaba por falsear a realidade em imposições ideológicas que consolidam o estado de ser-no-mundo e de interação como puramente dualista: sujeito-objeto, e que disso decorre a individualização, o tecnicismo e a exacerbação do relativismo, dissociando-se, assim, os movimentos sociais, políticos e históricos.