CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NOS PRIMEIROS DOIS ANOS APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA
Resumo
A cirurgia bariátrica reduz as repercussões da obesidade. Entretanto, caso uma alimentação inadequada persista após o procedimento, com elevado consumo de alimentos ricos em calorias, açucares e gorduras, como os ultraprocessados, benefícios em longo prazo são difíceis de serem mantidos. O presente estudo de coorte retrospectivo buscou avaliar a presença de alimentos ultraprocessados na dieta de pacientes após os primeiros dois anos de bariátrica, mediante coleta de dados secundários em prontuários. Participaram 48 pacientes adultos, que realizaram a cirurgia em hospital particular de São Paulo-SP e foram acompanhados por 24 meses. A idade média dos pacientes na inclusão foi de 42,8 anos (DP=8,87), com predomínio de mulheres (76,6%). Houve redução de 10,7Kg/m2 no IMC médio nos primeiros 12 meses após cirurgia, sem alteração significativa entre 12 e 24 meses. Após 12 meses do procedimento, houve redução significativa dos níveis séricos médios de colesterol total, LDL-colesterol, triglicérides, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulinemia e ácido úrico. Entre 12 e 24 meses, os valores médios da maioria dos exames não apresentou significativa alteração. Ao avaliar a presença de alimentos ultraprocessados na dieta desses pacientes após 24 meses, observou-se redução na ingestão, mas que não foi estatisticamente significativa (p=0,730). Entretanto, 16 ultraprocessados (25%) tiveram aumento em seu consumo. Correlações fracas e significativas entre número de ultraprocessados e glicemia de jejum (r=0,365; p=0,045) e consumo de carboidratos (r=0,373; p=0,018) foram observadas após 24 meses. Concluiu-se que permanece importante o acompanhamento destes pacientes mesmo após 24 meses da cirurgia para evitar o reganho de peso.Downloads
Publicado
2021-11-23
Edição
Seção
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde