O PÓS-MODERNISMO MINEIRO EM SÃO PAULO: ANÁLISE DA REPERCUSSÃO DA OBRA DE ÉOLO MAIA (1979-1990)
Resumo
Este trabalho pretende analisar o impacto do pós-modernismo na arquitetura brasileira a partir da recepção da obra de Éolo Maia e da escola mineira no ambiente paulista, durante a última fase da ditadura militar (1964-1985) e início da redemocratização. Na historiografia da arquitetura, a inauguração de Brasília é frequentemente apontada como um marco do apogeu e do esgotamento de uma trama narrativa da arquitetura moderna brasileira formulada por Lúcio Costa e continuada por Phillip Goodwin, Henrique Mindlin e Yves Bruand, entre outros. Mas, o fechamento das principais revistas de arquitetura durante o regime militar subsequente fez com que o reconhecimento e o levantamento documental do panorama da produção arquitetônica brasileira após Brasília se dessem apenas no fim da década de 1970 e início da década de 1980, com a profissionalização da pesquisa e da crítica, impulsionadas pela estruturação de programas de pós-graduação e novas revistas de arquitetura em São Paulo. Foi nesse cenário, que a crítica e os próprios arquitetos começam a pensar na forte presença do brutalismo em São Paulo como uma expressão regional enquanto outros trabalhos buscavam mapear o que vinha sendo produzido fora do eixo Rio-São Paulo. A escola mineira, para a qual o passado colonial estava mais presente do que na maioria das outras regiões, destoou das demais expressões regionais por se aproximar das discussões internacionais entorno do chamado pós-modernismo. O campo intelectual paulista teve papel fundamental na difusão e na crítica de tal movimento, que provocou leituras e proposições teóricas diversas, ainda hoje válidas. A pesquisa se propôs a sistematizar as abordagens críticas nas esferas acadêmica, editorial e estudantil acerca da recepção do pós-modernismo mineiro em São Paulo, a partir de entrevistas com críticos e historiadores que enfrentaram a obra do arquiteto Éolo Maia no período entre 1979 e 1990, entre eles: Sylvia Ficher, Luis Espallargas Gimenez, Ruth Verde Zein, Hugo Segawa, Abilio Guerra e Renato Anelli.