A INFLUÊNCIA DA HIGIENE MENTAL SOBRE IMIGRANTES JAPONESES NO BRASIL NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Resumo
A chegada dos imigrantes japoneses ao solo brasileiro ainda no início do século XX gerou diversas reações por parte da elite brasileira, sejam estas marcadas pelo estranhamento ou pela aversão. O expansionismo imperialista japonês característico da Era Showa potencializava um discurso de extrema desconfiança perante os imigrantes japoneses, vistos como tendo intenções de anexar parte do território brasileiro ao império japonês, fato este que se intensificou ainda mais com a aliança do Japão ao Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. O Brasil vivia um momento no qual ideais como a Higiene Mental e, consequentemente, a eugenia, dominavam o debate acadêmico e influenciavam diretamente o fazer-médico. Os sanatórios compunham o espaço que possibilitava a aplicação de diversos dispositivos que garantissem a soberania da ordem asilar e do poder psiquiátrico. Desta forma, os médicos eram entendidos como detentores do saber em um ambiente no qual a hierarquização das relações entre especialistas e pacientes eram incentivados e qualquer forma de transgressão por parte dos internos deveria ser punida. O presente artigo tem como objetivo averiguar prontuários de pacientes internados no sanatório Pinel entre 1935 e 1941 e analisar os desdobramentos da Higiene Mental sobre estes internos a partir da ótica da arqueologia do saber proposta pelo filósofo francês Michel Foucault. A análise dos resultados permitiu notar uma forte presença do discurso da Higiene Mental sobre os pacientes, sendo a “raça” um fator marcante nas descrições dos prontuários e os manicômios sendo apresentados como lugares de expressão do poder psiquiátrico.