COMO NOS LEMBRAMOS? MEMÓRIAS COLETIVAS DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA FRENTE ÀS POLÍTICAS DE ESQUECIMENTO
Resumo
Introdução: A ditadura militar brasileira (1964-1985) implementou políticas de esquecimento que criaram terreno fértil para o revisionismo histórico contemporâneo, fragilizando a memória coletiva por meio da Lei da Anistia. Objetivos: A presente pesquisa pretende analisar as memórias coletivas da ditadura a partir das experiências vividas nesse período por pessoas que hoje têm idade acima de 65 anos, investigando a influência das políticas de esquecimento na construção dos processos mnemônicos. Metodologia: Utilizou-se o método da História Oral com quinze participantes entre 69-87 anos, residentes do Estado de São Paulo. O tratamento dos dados seguiu os procedimentos estabelecidos pela Análise Crítica do Discurso. Resultados: Identificou-se a tipologia de quatro grupos segundo o critério do discernimento político: militantes com consciência crítica, mas reprodução inconsciente da linguagem oficial; classes privilegiadas com fragmentação da experiência; defensores do autoritarismo; e indivíduos despolitizados. A ideologia revelou-se fator preponderante, operando distorções na rememoração do vivido. Conclusões: As políticas de esquecimento penetram até nas memórias de indivíduos politizados, colonizando estruturas discursivas. A ideologia constitui o mecanismo fundamental na formação da memória coletiva.Downloads
Publicado
2025-11-05
Edição
Seção
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde