Problemas emocionais e comportamentais graves em crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Resumo
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) se caracteriza por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento social, familiar e escolar, apresentando também um elevado índice de comorbidades psiquiátricas. A identificação de comprometimentos emocionais e comportamentais graves neste transtorno é essencial, uma vez que contribui ao delineamento de intervenções adequadas às necessidades da criança. O estudo teve como objetivos verificar indicadores de problemas emocionais e comportamentais graves em crianças com TDAH e compará-los em função de gênero e diagnóstico, utilizando para isso o instrumento CBCL 6-18, o qual foi preenchido pelos cuidadores responsáveis pela criança referente aos últimos seis meses. A amostra foi selecionada por meio do protocolo de avaliação neuropsicológica, comportamental e clínica para crianças e adolescentes com queixas de desatenção e hiperatividade do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento. Foram avaliadas 42 crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH e 41 crianças e adolescentes do grupo controle, pareadas por sexo e idade, entre 6 e 14 anos. O teste estatístico não paramétrico U de Mann-Whitney utilizado para comparar os problemas emocionais e comportamentais entre os grupos clínico (com TDAH) e controle em função do sexo mostrou que somente a Escala de Atenção apresentou diferenças estatisticamente significativas. O teste estatístico Qui-Quadrado verificou associação entre a condição diagnostica e o número de itens críticos que indicavam problemas emocionais e comportamentais graves identificando três dos 12 itens 1) fala que vai se matar, 2) machuca-se de propósito ou já tentou se matar e 3) ser cruel com animais. Os itens críticos do CBCL alertam para problemas de saúde mental que indicam a necessidade de uma avaliação mais exaustiva de crianças e adolescentes com TDAH, mesmo aqueles que têm a suspeita, mas não confirmam um diagnóstico do transtorno.