Saúde mental como elemento de permanência: uma análise qualitativa do relato de universitários de baixa renda
Resumo
Os problemas de saúde mental têm se tornado mais frequentes entre universitários, sendo ainda mais expressivo entre aqueles de baixa renda. A desigualdade socioeconômica produz impactos que criam um ciclo de desvantagens e torna a transição universitária especialmente desafiadora para este público. Este estudo explorou fatores que podem afetar a permanência de jovens de baixa renda no ensino superior. Entrevistou-se 25 bolsistas de baixa renda, de instituições públicas e particulares de duas regiões brasileiras. Uma das formas de compreender esse fenômeno é por meio do paradigma ‘What Matters Most’ que busca identificar o que ‘realmente importa’ para o público-alvo. Os resultados evidenciam que as desigualdades acadêmicas são frequentemente internalizadas como responsabilidades individuais, o que contribui para o agravamento dos problemas de saúde mental. Além disso, as relações interpessoais emergem como elementos centrais na construção de uma experiência universitária positiva. Por fim, a precariedade dos recursos institucionais e a insegurança financeira intensificam a vulnerabilidade desses estudantes. Conclui-se que a permanência de jovens de baixa renda no ensino superior depende da integração entre apoio institucional, segurança econômica e relações interpessoais, fundamentais para reduzir desigualdades e proteger a saúde mental.