SOBREVIDAS: ESPAÇOS INSURGENTES EM TEMPOS DE VIOLÊNCIA URBANA
Resumo
Este artigo propõe investigação sobre a atuação em articulação de grupos territorializados que, em momento de colapsos sociais, ambientais e econômicos, atuam/lutam pela busca da desejada emancipação, reconhecendo como elemento de condução a arte, educação e ações espaciais. A partir de aproximação com o Fórum Mundaréu da Luz e com a região da Santa Ifigênia/Campos Elíseos, centro de São Paulo, busca-se o entendimento sobre a atuação da arquitetura enquanto instrumento de luta e resistência, quando ligada a pautas relacionadas ao território e articuladas a movimentos insurgentes. Como encaminhamento de pesquisa, foram reconhecidas e mapeadas ações-reações que emergem no território de estudo, bem como seus vínculos com instituições, coletivos e movimentos sociais, a fim de obter questões consistentes que desencadeiam percepções capazes de identificar formas de resistir, permanecer e contribuir com a discussão sobre/com/como a produção do espaço. A metodologia de estudo foi pautada em uma aproximação efetiva com o território em que, a partir da compreensão das dinâmicas reais, estivemos presentes ativamente em debates, reuniões e conversas a fim de propor um projeto-ação. Esta pesquisa relata estratégias de enfrentamentos espaciais que se pautam em outras ordens socioespaciais para gerar insumos para a formação de redes que se apoiam em estratégias políticas de atuação. Busca-se o entendimento do espaço construído como instrumento de tensão/pressão para a construção de políticas públicas que se aproxime da luta e embate com a perspectiva de sentido de cooperação, solidariedade, compromisso cívico e justiça social.