A intermidialidade entre as obras de Jane Austen e os romances contemporâneos
Resumo
Este artigo investiga o processo de transposição intermidiática de obras literárias para o cinema, com foco na influência dos romances de Jane Austen, especialmente Orgulho e Preconceito (1813), sobre narrativas contemporâneas, como a série de livros Os Bridgertons (2000-2024), de Julia Quinn, e sua adaptação televisiva disponibilizada pela Netflix desde 2020, até o momento na terceira temporada e com uma prequela. A transposição intermidiática, definida como o cruzamento de fronteiras midiáticas entre o verbal e o visual (RAJEWSKY, 2015; ROSA, 2018), não apenas soma linguagens, mas potencializa possibilidades narrativas, refletindo os contextos sociais, históricos e culturais de cada época. Observa-se que muitos filmes e séries de romance, direcionados sobretudo ao público feminino jovem, dialogam com elementos estéticos e temáticos presentes na obra de Austen, seja por meio de adaptações diretas, seja por inspirações conceituais. A partir do conceito de fusão entre mídias (HIGGINS, 2012, apud VENEROSO, 2012), esta pesquisa analisa se as características fundamentais dos romances de Austen permanecem reconhecíveis na criação e recepção das obras derivadas escritas por Quinn, bem como se essas narrativas contemporâneas mantêm vínculos com noções clássicas de romance de formação e personagem ficcional. O estudo busca compreender de que forma a adaptação literária e audiovisual de Os Bridgertons incorpora — ou transforma — atributos essenciais do hipotexto, avaliando a eficácia desse processo intermidiático na preservação de traços originais e na atualização dos discursos para o público atual.